Por quê o teclado é assim? Dos cliques mecânicos aos mais virtuais possíveis…

7 julho 2005

A primeira máquina de escrever foi feita em 1714 por um engenheiro britânico chamado Henry Mill. Nessa época, as letras eram dispostas no teclado em ordem alfabética. Mas para quem se lembra da mecânica das máquinas de escrever, sabemos que as letras eram impressas através de tipos de impressão que ficavam nas pontas de hastes metálicas acionadas pela pressão dos dedos no teclado. O problema era que essas hastes emperravam com freqüência.

Christopher Sholes, criou um layout de teclado que reduzia este emperramento constante. Esse layout é o conhecido padrão QWERTY que é usado até hoje nos teclados da grande maioria dos microcomputadores. Essa disposição das letras reduzia a freqüência com que os tipos se emperravam. Portanto foi uma solução para um problema puramente mecânico, que acabou sendo usado hoje em dia por acomodação dos usuários e inércia do mercado.

Dvorak Keyboard - Public Domain

Depois vieram outras inovações nas disposições das letras, como o exemplo de 1932 feito por John Dvorak e Willian Dealey (figura). O teclado Dvorak trouxe algumas mudanças para aumentar a produtividade e diminuir o cansaço das mãos. É uma inovação que existe mas não é na prática adotada pela maioria das pessoas. Algumas variações do padrão Dvorak também surgiram depois de sua invenção.

Com a tecnologia de hoje, estamos perto de algo como digitação por voz, ou digitação por conversão da escrita em letras. Ambas são possíveis, mas ainda com muito por evoluir devido às diferenças físicas (voz e caligrafia) de pessoa para pessoa. Com certeza serão áreas que evoluirão muito nos próximos anos devido a presença avassaladora de novas aplicações para a telefonia celular, que esta deixando de ser telefonia para se transformar em todo um completo serviço de dados e multimídia.

E falando em celular, escrever no tecladinho do celular ainda não é uma tarefa fácil e agradável, apesar dos auxiliares de escrita em diversas línguas terem facilitado muito esse processo. A tecnologia Predictive Text Input ou T9, é um padrão feito por uma empresa chamada Tegic e que é usado pelas principais fabricantes de aparelhos celulares. Facilitou bastante a vida dos escritores compulsivos de SMS, ou torpedo como foi chamado aqui no Brasil.

Siemens SX1 (c) VKB Inc./Siemens

Enquanto isso, vão surgindo outras maneiras de facilitar a escrita nos cada vez menores celulares e PDAs. A VKB Inc. é detentora da patente do teclado virtual a laser que promete uma grande revolução no auxílio à escrita em pequenos aparelhos. Basicamente é um teclado laser projetado em uma superfície lisa, que com o “teclar dos dedos” detecta o movimento e funciona! Mesmo usando o padrão QWERTY, só de fugir do minúsculo padrão alfanumérico já basta. O aparelho para ser conectado em PDAs já é vendido e pode ser comprado por cerca de US$199,00. A Siemens anunciou recentemente o lançamento de um celular com essa tecnologia (figura). E a Sybian que produz sistemas operacionais para a maioria das grandes fabricantes também anunciou que vai utilizar a tecnologia.

Prefiro ainda o futuro da digitação por voz ou por conversão da caligrafia manual, escrever todo esse artigo teria sido muito mais fácil do que “catar milho” no teclado.


Colaboração em massa na Internet está chacoalhando os negócios

17 junho 2005

Cabo de Rede“A Internet é um organismo monstruoso, grande e cabeludo. Aproximadamente 1 bilhão de pessoas on-line no mundo inteiro, jundo com os seus conhecimentos compartilhados, os seus contatos sociais, suas reputações, capacidade de processamento dos seus computadores e mais, estão rapidamente se tornando uma força coletiva de poderes sem precedentes. Pela primeira vez na história humana a cooperação em massa através do espaço-tempo se torna repentinamente economicamente viável.”

Com esse mote, a Revista Business Week publicou um artigo que descreve como o uso massivo das informações vindas de usuários da internet estão beneficiando e/ou prejudicando o mundo dos negócios e das grandes corporções.

Milhões de voluntários estão ajudando, através de seus computadores interligados, a prever o clima global, analisar doenças genéticas e encontrar novos planetas e estrelas. A corretora de investimentos Marketocracy Inc. possui uma rede de 70.000 negociantes virtuais em suas simulações, e utiliza as “dicas” de seus melhores portfólios para comprar e vender ações verdadeiras para seu fundo mútuo de 60 milhões de dólares.

Não só as indústrias de tecnologia são afetadas por todo esse movimento, outras áreas como o entretenimento, publicações editoriais e anúncios publicitários também sofrem mutações. Hoje, milhões de filmes e músicas são trocados nas redes de compartilhamento de arquivos e a situação é a mesma na publicidade. A Google Inc. faz um ranking baseado na opinião coletiva de criadores de websites para determinar os resultados de pesquisa mais relevantes. Neste processo, criou um mercado multi-milionário de anúncios super segmentados que está roubando receita de anúncios em revistas e jornais.

Muitas empresas tradicionais já perceberam o valor desse tipo de opinião coletiva, e já utilizam essa inteligência da população on-line para criar e desenvolver produtos com a cara do consumidor ou colher opiniões e previsões de mercado. Empresas como a Procter&Gamble e Lego já começaram a entrar dentro desse grupo virtual.

A Amazon.com Inc. utiliza opiniões dos clientes para dar notas aos seus produtos comercializados, isso é uma fonte de opinião fortíssima quando se trata de entender o que os clientes querem.

Toda essa junção de opinião coletiva está surgindo através das recentes tecnologias da rede: compartilhamento de arquivos, blogs, sites editáveis por qualquer pessoa (os chamados wikis) e sistemas de network social. Mas a massa on-line não oferece somente idéias ou opiniões, às vezes todos eles se tornam toda a linha de produção de uma empresa. O jogo Second Life da desenvolvedora de jogos Linden Lab. é um mundo virtual onde os jogadores podem desenvolver seus próprios personagens e construções que serão usados em jogos dentro desse próprio mundo. A empresa cobra dos jogadores o custo do “terreno” onde serão construídos os prédios e casas. São 25.000 jogadores criando coisas 6000 horas por dia.

Mas nem sempre as coisas vão pro lado do bem, muitas vezes toda essa coletividade pode prejudicar as empresas. Me lembro de um e-mail que recebi que ensinava como abrir o automóvel Gol da Volkswagen, hoje esse e-mail poderia ser publicado em um blog, espalhando essa dica rapidamente. Essas ações podem forçar a empresa a trocar todas as fechaduras daqueles automóveis gerando um prejuízo enorme. Isso aconteceu com a Kryptonite que produz cadeados para bicicletas. Ela subestimou um vídeo que circulou pelos blogs que mostrava como era fácil abrir o cadeado com uma caneta BIC, e o resultado é que teve que gastar mais de 10 milhões de dólares com substituições.

A onda de softwares “Open-Source” também é uma ameaça às grandes companhias desenvolvedoras de software, isso porque esse tipo de software, além de possuir o código fonte aberto que possibilita alterações por parte do usuário (ou cliente), muitas vezes ele é fornecido de forma gratuita. Assim, o software fica cada vez mais aperfeiçoado graças às contribuições de diversos “pesquisadores” espalhados pelo mundo.

Um outro exemplo de ameaça aos negócios é a Wikipedia, uma enciclopédia escrita pelos próprios “leitores-usuários” que já ultrapassou a Britannica em número de verbetes.

É uma nova economia rápida e conectada, onde a opinião dos clientes tem poder e deve ser utilizada sinergicamente pelas empresas para a evolução dentro dessa modalidade de democracia de mercado.


Criatividade está na idéia e não na execução

15 junho 2005

Quando falamos de criatividade geralmente pensamos em propaganda, mas é verdade e evidente que existem outras aplicações. A propaganda está intimamente ligada com criatividade porque a sua mensagem é enviada a praticamente todos os tipos de mídia que dispomos na sociedade, e essas mensagens acabam por consequência atingindo a maior parte da população. Logicamente, o objetivo é seduzir o consumidor, fazer com que seja criado no seu íntimo uma vontade de possuir ou incorporar o objeto anunciado. Mas porque ainda assim a propaganda é assim tão fascinante?

(c) yotofoto.com

Quando éramos crianças, na pré-escola, tínhamos sempre uma caixa de lápis de cor por perto. Todo trabalho escolar se baseava em desenhos e na estimulação da capacidade criativa de cada um de nós. Depois vieram os anos com a vassoura da álgebra, gramática e demais matérias varrendo tudo e toda essa liberdade de pensamento que tínhamos.

A propaganda é uma disciplina que estimula os seus profissionais a se comportarem como crianças no sentido de que a liberdade de pensamento para fazer conexões e mapas mentais seja ilimitada. Sempre que existe uma quebra de comportamento padronizado, nós humanos tendemos a reagir com mais atenção a este fato. É da nossa índole criticar aquilo que está fora dos padrões vitais ou comerciais, mas quando alguém insere essa “boa nova” na nossa frente nos vemos pensando muitas vezes: Que inteligência, muito bem bolado!”. Quem nunca se deparou com um anúncio que quebra os padrões da sociedade e como conseqüência nos inspira alegria ou divertimento?

Essa quebra de rigor imposto pelas agências de propaganda é que nos aproximam da propaganda e criam o seu carisma… alí vemos espelhado a nossa necessidade de voar longe nos pensamentos, nos libertar das amarras da rotina.

Essa liberação acaba sendo muito fácil de traduzir em ação porque dentro da mídia podemos publicar quase tudo que temos em mente através de fotos e filmes e com a ajuda de um computador. Isso é o ponto forte da propaganda. Traduzir a idéia em uma ação, ou seja, em uma foto, página de revista ou filme é uma tarefa fácil dentro da indústria da propaganda. O problema é quando passamos essa necessidade de liberdade para o dia-a-dia de uma empresa ou das nossas vidas.

Em uma empresa, seja quando temos funcionários ou somos os funcionários, existem regras éticas e limitações impostas por hierarquias ou governo. Na nossa vida cotidiana, seguimos frenéticamente os passos do capitalismo e não temos tempo de refletir e encarar a vida de forma divertida e distraída.

A grande questão aqui é valorizar a criatividade, e, para despertá-la devemos criar um exercício mental de criatividade sempre que necessário. Fazer um repositório de idéias sem nos preocupar como faremos para executá-las, ou se elas são comercialmente viáveis. Isso é muito importante para que consigamos criar o maior número de conexões possíveis e conseguir combinar duas coisas diferentes na busca de uma solução criativa.

Um exemplo interessante: Vamos supor que você tenha que descer um bloco cilíndrico de concreto gigantesco por uma passagem cilíndrica estreita e longa. Um ponto a ser notado aqui é que um guindaste que suporte todo o peso do bloco é extremamente caro e esse bloco também é super sensível a pancadas. Qual seria a solução?

Ou ainda um outro problema: Na cidade de Santos, no litoral paulista, diversos prédios estão pendendo para o lado devido ao solo arenoso. O mesmo vale para a torre de pisa, que é um patrimônio e deve ser reerguida com cautela. O que fazer?

Uma solução criativa está em algo tão ambundante em nosso planeta que nem podemos acreditar: na água. A IDÉIA aqui é fazer a água congelar no espaço a ser ocupado, no congelamento a água se expande, deslocando o objeto a ser erguido (no caso dos edifícios). Ou congelamos a água e colocamos o objeto a ser baixado em cima do gelo, para que ele desça com o descongelamento (no caso do bloco cilíndrico de concreto).

Observamos que a IDÉIA é muito boa, porém como faremos para congelar a água naqueles espaços e como vamos encher com concreto o espaço aberto embaixo do edifício é outro problema que não depende da criatividade, mas sim de pesquisa e tecnologia. Essa é a EXECUÇÃO da idéia.

Por isso, quando queremos ser criativos devemos deixar as idéias fluirem continuamente, sem restrições. A análise da validade ou de como executaremos é um passo posterior e deve ser feito somente depois que já esgotamos as possibilidades criativas. Se o bloqueio vier logo em seguida da idéia, jamais poderemos fazer conexões com outras idéias e dificilmente teremos sucesso no estabelecimento de soluções criativas.


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Capacidade de fazer descobertas importantes por acaso


Aportuguesamento de Serendipity. Palavra formada por Serendip ou Serendib (do árabe Sarandíb), antigo nome do Sri Lanka, + sufixo -ity, palavra criada em 1754 por Horace Walpole no conto de fadas Os três príncipes de Serendip, cujos heróis sempre faziam descobertas acidentalmente ou por sagacidade de coisas que não procuravam

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