Era digital e serendipidade

5 agosto 2009

Meu amigo Maurício me mandou o link para este artigo do The New York Times que diz que a vida digital matou a serendipidade que antes existia com a gente. Sobrecarga de informação e encontrar o que queremos nas ferramentas de busca está fazendo com que não encontremos algo de valor enquanto procurando um outra coisa qualquer.

Discordo.

O artigo comenta que algumas ferramentas ainda tentam buscar serendipidade com crowdsourcing, indicação baseada em preferências ou aleatórias, mas que estamos longe de estimular serendipidade apropriadamente.

Negócio é serendipidade está mais nos olhos de quem vê do que na boca de quem fala. Quando busco uma palavra qualquer no Google ainda recebemos como resultados páginas que podem nos levar facilmente a uma descoberta inesperada. Simples assim. Não precisamos de estímulo. Certo?


CrowdSpirit volta ainda melhor

17 novembro 2008

No ano passado eu tive a oportunidade de participar como beta tester de uma plataforma de colaboração chamada CrowdSpirit, a idéia do site era pegar sugestões de novos produtos eletrônicos com a comunidade de usuários e literalmente criar novos produtos eletrônicos. Na época eu estava formulando o plano de marketing do primeiro produto da velha CrowdSpirit, um calendário digital para ser usado em paredes.

O problema é que a fabricação do novo eletrônico se tornou insustentável dado às dificuldades em se obter uma cadeia de suprimento altamente coordenada ou mesmo encontrar um preço competitivo com a baixa escala da demanda. Só que o site não morreu, o teste serviu para reformular o conceito, e na semana passada recebi um email do CEO da empresa, Lionel, com a divulgação do novo CrowdSpirit.

O novo CrowdSpirit entra no ar hoje em escala global. (já cobrei a versão em português)

Segundo o CEO, a visão da empresa se mantem a mesma. As empresas sofrem diversas pressões, limitações e não possuem uma clara idéia das necessidades dos clientes. A CrowdSpirit acredita que o crowdsourcing pode ser usado de forma bem sucedida no design de serviços e produtos. A nova missão é construir relacionamentos entre a comunidade de usuários de internet criativos e empresas que querem criar novos produtos.

Agora as empresas podem mandar ‘desafios’ para a comunidade visando a geração de idéias para seus produtos e serviços, e usuários da comunidade fazem a sua parte colaborando e adquirindo reputação dentro da mesma. A empresa pode abraçar a(s) idéia(s) e a partir daí o relacionamento está aberto inclusive para oportunidades de trabalho e remuneração em troca de insights. A propósito, tem um desafio no ar que está prometendo 3 mil euros em prêmios!

Para quem quer se aventurar, eu acredito que essa rede de crowdsourcing vai pra frente porque apresenta uma plataforma consolidada de reconhecimento e recompensa dos esforços dos próprios usuários de forma  individual.


WWW = World Wide Wisdom

19 junho 2008

http://www.vlib.us/web/opte.org.jpgEstava no meu carro vindo para o trabalho hoje de manhã e, pensando sobre a vida, vi um endereço web em um outdoor. Na hora me ocorreu que a World Wide Web (rede de alcance mundial) é na realidade um World Wide Wisdom (inteligência em escala mundial).

Fiquei tão feliz… Aí pensei, certamente já pensaram nisso…

Pesquisei no Google: “World Wide Wisdom“. Tem até livro. Mas não cobrindo a – atualmente chamada – inteligência ou sabedoria das multidões (Wisdom of Crowds), nem o Crowdsourcing. Nem relacionado com o Gustave Le Bon e seu livro de 1895…

No final fiquei com a sensação de novidade. Vou usar o termo num capítulo do meu novo livro, só que relacionado com a sabedoria das multidões / uso das multidões para resolver problemas.

O velho conceito de criatividade usando dois conceitos diferentes combinados para criar um terceiro. Só um pouco atrasado… mas ao menos minha cabeça está funcionando…


Memes que suportam a economia

24 abril 2008

Quando falamos de meme aqui no blog no ano passado, não imaginava a quantidade de memes que a revista americana Wired já criou e o quanto esses memes significam para a economia atual dependendo do contexto. Isso é o que eu chamo de capacidade de identificar tendências (o que já é grande coisa) e nomeá-las de forma criativa (o que pode ser ainda mais difícil).

A tabela abaixo foi extraída do website da revista e estava na forma de um teste de conhecimento devido as comemorações do seu 15o aniversário. Eu já relacionei cada meme com a sua definição correta mas foi mal aí, não vou traduzir nada dessa vez.

Meme Definição
1 Technolust (1993) A near-obsessive fascination with the newest digital gadgetry
2 Netizen (1996) A person who engages in online communities to further discussion and add to collective knowledge
3 The Long Boom (1997) An extended period of intense economic expansion propelled by the forces of free markets, unprecedented globalization, and advancing technologies
4 The New Economy (1997) A system in which wealth is driven by information and technological infrastructure
5 Geek Syndrome (2001) A mild form of autism that afflicts a disproportionate number of techies; better known as Asperger’s syndrome
6 The Long Tail (2004) The niche-based culture catching up to the hit-driven economy
7 Crowdsourcing (2006) Tapping the ingenuity of the networked masses
8 Radical Transparency (2007) The exposure of a company’s inner machinations in order to improve customer relations and amp up profits


Crowdsourcing na pele

9 janeiro 2008

Pra quem pensa que eu fiquei os últimos 3 meses coçando enquanto aguardava minha vinda pro velho continente, queria dizer que as coisas não são bem assim.

Momentaneamente me veio à mente um episódio da minha pré-adolescência onde uma professora do colégio me instruia que em redações não devemos usar a palavra “coisa”. Engraçado como fixamos lembranças desse tipo

Voltando para a terra.

Algum tempo atrás mencionei o Crowdspirit e que eu fazia parte da equipe de beta-testers da bagaça. Pois então. Há dois meses estou envolvido na construção do primeiro produto eletrônico produzido inteiramente por uma comunidade virtual. Dentro da comunidade estou liderando a frente de marketing e acabo de publicar internamente o rascunho daquele que será o plano de marketing do nosso primeiro produto, com direito a SWOT, 4Ps e tudo.

Ainda falta muito trabalho até o lançamento do nosso Calendário Digital para pendurar na parede! Sim, esse é o produto. Nesse meio tempo estou tendo uma ótima experiência conhecendo novas pessoas do mundo todo e tendo a oportunidade de sentir na pele o que é Crowdsourcing e como funciona a dinâmica das interações entre membros de uma equipe voluntária.

Não sei como vão me pagar ainda. Por enquanto estou mais preocupado em aprender novos conceitos. Mas se quiserem me pagar com stock options eu to dentraço. Não sou massagista, mas quem sabe eu ganho uns milhões no futuro…

Quem estiver afim de ajudar é bem-vindo. Mas primeiro é preciso pedir acesso, veja no website como ajudar.


Mão na massa

23 dezembro 2007

Muitos dos leitores de Serendipidade conhecem o Springwise – um blog que busca apontar inovações em diversas áreas relacionadas a produtos, serviços e relacionamento.

Todo mundo está farto de saber que a distância entre uma empresa e seus clientes já quase não existe mais. Essa “união” trouxe uma nova série de possíveis vantagens e desvantagens para ambas as partes. Pelo menos do lado da empresa, o que pode abrir novos horizontes em pesquisa e desenvolvimento pode, por outro lado, prejudicar na imagem perante uma comunidade de consumidores insatisfeitos que reverberam a situação no mundo on-line.

Enquanto tem um monte de empresa perdendo os cabelos tentando encontrar uma forma de se conectar eficientemente com seus clientes, alguns aproveitam o desejo dessa massa ansiosa por comunicação para dar a eles o que eles estão pedindo: meter a mão no produto ou serviçono matter what.

Pegando emprestado dois websites apresentados pelo Springwise para ilustrar o que digo:


O que as pessoas lêem refletem sua inteligência?

30 outubro 2007

maislidas.jpgPergunta intrigante…

Olhando as notícias mais lidas na Folha de S.Paulo a qualquer hora do dia você se depara com uma lista parecida com essa ao lado.

Ela reflete a preferência popular de uma rede virtual que é acessada, na sua maioria, por pessoas de mais elevado poder aquisitivo.

Se pensarmos em crowdsourcing, wikinomics e/ou avaliarmos a inteligência coletiva o que podemos concluir? Existem exceções? Se trata de um nicho (cauda longa)? Ou uma coisa não tem nada haver com outra?

Num antigo post comentei o livro de Gustave Le Bon (1895) – A psicologia da multidão (é grátis):

Quando no meio de uma multidão, o homem regressa para um estado mental primitivo. Uma pessoa que pode ser altamente culta e moral em alguns casos, é capaz de agir como um barbáro.

Esta irracionalidade, presta-se ao poder da sugestão, através do qual o comportamento de um indivíduo pode ser determinado pelas suas percepções e as ações de outros ao redor dele.

Então o ímpeto por ler ou ver alguma coisa não se correlaciona com inteligência. O conteúdo acessado por sua vez alimenta nossa cabeça com informação boa ou ruim.

Para chegar ao 5o. lugar imagino que um número grande de pessoas devem clicar na mesma notícia, sem saber que as demais estão clicando nela. As notícias são na maioria relacionadas com a mídia TV, a qual exerce forte influência na nossa sociedade, isso explica serem “+ lidas”. Um acesso à informação de forma “inconsciente”.

Podemos manipular as multidões, elas percebem “viralmente” o que as demais ao seu lado estão fazendo. O start deve ser algo popular. Mas ainda não consigo entender porque o viral que conhecemos é tão “vazio”.

Daí eu volto à questão, porque buscamos ler ou ver coisas “vazias”?

Isso aqui tá parecendo o ovo e a galinha…


EGM – Mídia gerada pelos funcionários

23 setembro 2007

O John Moore indicou um artigo do Wall Street Journal que aponta uma nova tendência nas firmas de auditoria americanas: o conteúdo / mídia criado pelo funcionário. A verdadeira intenção é conseguir chamar a atenção de estudantes universitários para compor o corpo de profissionais de uma determinada firma.

Ainda que parando pra pensar, nem houve tempo hábil para que as empresas começasssem explorar melhor o UGC ou UGM (User Generated Content / Media), ou no linguajar da web 2.0: Crowdsourcing.

Depois ele continuou a discussão no seu blog apontando EGMs (Employee Generated Media) relacionados com o Starbucks e com a Deloitte.

Voltando na questão comentada no primeiro parágrafo e relacionada com a Deloitte. Foi lançado um concurso na firma americana convidando os funcionários a criarem vídeos que respondessem a pergunta: “Qual é a sua Deloitte?”. Os 14 melhores vídeos foram escolhidos e estão na página oficial do concurso no YouTube. E ficaram ótimos.

O que os funcionários da sua empresa falariam dela? De que forma uma iniciativa de EGM poderia ser beneficial para sua marca?


O povo no comando

16 julho 2007

Adoro o conceito por trás do neologismo “Crowdsourcing” e considero a Wired uma das revistas mais conectadas da atualidade.

Em uma brilhante iniciativa, ela lançou um wiki chamado Zero Assignment, onde a própria audiência gerou mais de 80 artigos sobre o tema. A própria Wired está publicando os 12 melhores. Veja um deles aqui e leia todos depois.


Qual é o novo paradigma?

29 junho 2007

Todo ano é marcado por alguma coisa relevante. Para 2006 eu não saberia escolher o melhor exemplo de destaque, teve o “pequeno” dominando a eletrônica, teve “blogs“, teve “web 2.0“, teve “comunidade” e muitos outros.

O termo Crowdsourcing (não consigo produzir um neologismo em português) já é antigo, mas o conceito, que poderia facilmente ter sido um destaque de 2006, só deve se consolidar com força no Brasil este ano. O Estadão já possui desde o ano passado um serviço chamado FotoReporter, onde leitores enviam fotos via celular ou email para a redação do jornal. E hoje a concorrente Folha de S.Paulo anunciou um serviço parecido para envio de notícias + fotos.

Dentro do tema vídeos online, o YouTube lançou sua plataforma em português. YouTube é paradigma da década provavelmente, mas a onda de serviços web 2.0 também está começando a alavancar no Brasil. O WeShow é o exemplo mais recente.

SecondLife também é onda de 2006, mas as empresas (que saco!) não sossegam de querer abrir sua filial lá dentro. Iniciativas que provavelmente vão morrer em seguida, mas o que vale é o buzz.

Por último, e não menos importante, temos o “paradigma do toque“. Ainda quando o nome possa remeter a outros entendimentos, tem tudo haver com o novo (e já imitado) telefone da Apple.

Alguém arriscaria chutar o que vem por aí em 2007 no Brasil ou no mundo?


Capacidade de fazer descobertas importantes por acaso


Aportuguesamento de Serendipity. Palavra formada por Serendip ou Serendib (do árabe Sarandíb), antigo nome do Sri Lanka, + sufixo -ity, palavra criada em 1754 por Horace Walpole no conto de fadas Os três príncipes de Serendip, cujos heróis sempre faziam descobertas acidentalmente ou por sagacidade de coisas que não procuravam

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