Por Henrique Úchida Rezeck
“Não existem fatos isolados. Tudo está ligado a tudo”
Carl G. Jung
A repetição de um fato grave em uma comunidade é sintoma de que muitas coisas não vão bem.
Num espaço de quatro anos, dois garotos tiveram suas cabeças esfaceladas em dois acidentes em Poços de Caldas: 04/10/2000 e 24/11/2004. Em ambos os casos, circulavam de bicicleta quando foram atropelados por ônibus.
Isto serve como evidência mais do que explícita de que nossa sociedade não sabe cuidar nem proteger suas crianças e seus adolescentes.
Lembro-me de uma ocasião em que, preocupado com estas ocorrências, liguei para a gerente de uma rede de padarias do centro da cidade e informei a ela que seria bom para a segurança dos entregadores o uso de capacetes e bicicletas com olhos de gato nas laterais, frentes e traseiras, além de espelhos retrovisores. Muito embora ela concordasse, nenhuma dessas providências veio a ser tomada. As pessoas podem ser, por vezes, deveras inconseqüentes…
É importante que aperfeiçoemos nossa educação no trânsito, tanto quanto a sinalização, mas, principalmente, nós precisamos deixar de achar que é impossível proteger nossos menores e começar a dedicar tempo a APRENDER a cuidar deles. Não é vergonha assumir que não sabemos, mas é irresponsabilidade nos negarmos adquirir tal conhecimento. Para mães, pais e outros educadores um bom começo pode ser a ESCOLA DE PAIS, QUE É GRATUITA.
Chama-me a atenção, entretanto, a maior incidência de problemas entre os jovens do sexo masculino. Enquanto preparava “Listening to Boys’ Voices” (Ouvindo a Voz dos Garotos), um de seus estudos que mais tarde se tornaria livro, o Dr. William Pollack, do Centro Para Homens do Hospital McLean, um departamento da Faculdade de Medicina de Harvard, e membro fundador da Sociedade Para o Estudo Psicológico dos Homens e da Masculinidade da American Psychological Association, descobriu novas evidências que apoiavam sua percepção de que muitos garotos hoje enfrentam sérios problemas. O quadro é alarmante:
“No sistema educacional os meninos têm duas vezes mais chances que as meninas de serem rotulados “incapacitado para a apreendizagem”, constituem até sessenta e sete por cento das turmas de “educação especial”, e em algumas instituições têm até dez vezes mais probabilidade de serem diagnosticados portadores de uma desordem emocional grave – principalmente a desordem do déficit de atenção (para a qual muitos tomam medicação forte com efeitos colaterais potencialmente perigosos). Enquanto a significativa lacuna nas notas das garotas em ciências e matemática tem melhorado bastante, os resultados apresentados pelos garotos em leitura têm diminuido substancialmente. Estudos recentes também demonstram que não apenas a auto-estima dos meninos é mais frágil que a das meninas e que a confiança deles como alunos está menor mas também que os meninos são consideravelmente mais propensos a se envolverem em problemas disciplinares, serem suspensos de aulas ou abandonarem totalmente os estudos.
“Os meninos estão com sérios problemas também fora da escola. A incidência de depressão entre os garotos de hoje é chocantemente alta, e as estatísticas revelam que os garotos têm até três vezes mais chances de serem vítimas de crimes violentos (com excessão de estupro) e entre quatro a seis vezes mais probabilidade de cometerem suicídio…”
Não sei se há dados de semelhante natureza em nosso país, mas não é muito difícil perceber que aqui também os meninos desenvolvem comportamentos destrutivos, incluindo alcoolismo ou abuso de drogas, e se envolvem em acontecimentos trágicos muito mais freqüentemente que as meninas.
Os garotos de hoje estão em crise. Na superfície, muitos aparentam ser durões, confiantes e animados mas, por dentro, muitos estão tristes, solitários e confusos.
As mensagens contraditórias que a sociedade lhes envia acabam por coloca-los em risco, hoje mais do que nunca.
Os garotos se escondem por trás de uma máscara de independência, o que não apenas os impede de conhecerem suas verdadeiras personalidades, mas também impede que nós os conheçamos. Esta máscara é uma exigência de nossa cultura machista.
Nós ainda dispensamos aos nossos meninos o mesmo tipo de educação superficial e grosseira de há 500 anos. Uma educação que não sabe valorizar seus sentimentos , não sabe respeitar suas fraquezas e, portanto, espera que o rapazinho seja um projeto de super-herói! Trata-se de uma pedagogia com conceitos de masculinidade absolutamente equivocados.
Como resultado, o menino sofre calado, enquanto a menina conta com permissão para chorar suas angústias no colo dos pais. Esperamos que o menino resolva seus problemas por conta própria, mas quando a garota tem alguma dificuldade, as pessoas a sua volta se apressam em ajudá-la.
A distorção de nossa cultura interrelacional chegou a tal ponto que hoje é imprescindível que os garotos contem com algum tipo de ajuda específica para sí.
O Canadá é um dos lugares onde já existem programas de assistência a jovens do sexo masculino. A medida é também pragmática: pretende evitar gastos previdenciários futuros com famílias que perdem cedo demais pais e maridos.
Nós também podemos criar grupos de apoio aos jovens do gênero masculino, mas quem tiver a responsabilidade de gerir esta tarefa deverá ter sólida formação em psicologia e em relações humanas.
A responsabilidade pela segurança e pelo bem estar dos meninos e das meninas é de TODOS NÓS.
Henrique Úchida Rezeck é professor de Inglês Como Língua Estrangeira e interessado em questões de gênero, educação emocional e cidadania.
Referências:
- Jornal da Mantiqueira
- Jornal da Cidade
- Pollack, W. S. (1998), “Real Boys: rescuing our sons from the myths of boyhood” – Random House. Publicado no Brasil sob o título “Meninos de Verdade”
- Pollack, W.S. e Cushman, K. (2001). “Real Boys Workbook – The definitive guide to understanding and interacting with boys of all ages.” – Villard Books
- Revista Veja
- Escola de Pais


Tem certas coisas na internet que são demasiadamente viróticas. Quando conseguimos provocar um estalo nos leitores de nossas páginas virtuais a propagação se torna incrivelmente gigantesca. Unindo isso com os blogs servindo de profetas, temos literalmente uma propaganda
“O meu país virou terceiro mundo”
A aquisição dessa ignorância por nossa própria culpa.
Ignorância
C de criatividade
D de Design
Aplicando essa observação ao nosso circulo de aprendizado apresentado no post acima mencionado, teremos um novo conceito de conhecimento de crescimento assimétrico, tendendo mais para os assuntos de nosso interesse particular. Assim, seria possível conhecer um pouco de muitas coisas, porém se aprofundando em algumas específicas áreas de conhecimento.
Vamos imaginar que todo o conhecimento que você adquiriu desde sua infância pudesse ser representado por um círculo de área igual ao seu conhecimento, e fora desse círculo, está todo o conhecimento disponível que até então você não explorou. A borda deste círculo é a sua fronteira com o infinito desconhecido, e o crescimento da borda (raio) em um sentido, representa a ordem natural do aprendizado: primeiro devemos aprender o básico para poder avançar conforme aprendemos mais e mais.
“A Internet é um organismo monstruoso, grande e cabeludo. Aproximadamente 1 bilhão de pessoas on-line no mundo inteiro, jundo com os seus conhecimentos compartilhados, os seus contatos sociais, suas reputações, capacidade de processamento dos seus computadores e mais, estão rapidamente se tornando uma força coletiva de poderes sem precedentes. Pela primeira vez na história humana a cooperação em massa através do espaço-tempo se torna repentinamente economicamente viável.”






