Leituras que valem a pena #27

24 dezembro 2008

Sobre humanos e animais | Alexandre Inagaki
Belíssimo ensaio sobre o efeito espectador e sua relação com ser humano e ser animal. Inagaki menciona Kitty Genovese como caso notório desse efeito e que se relaciona com a próxima leitura, sendo um caso notório de conformidade social também.

Conformidade elevadorística | Kentaro Mori
O efeito espectador e a conformidade social estão fortemente ligados um ao outro. Vejo sutis diferenças entre os dois. É como se o efeito espectador fosse a causa da “não-reação” e a conformidade fosse o motivo dela durar tanto tempo. Somente especulação, mas pode existir também um link aqui entre a conformidade e os  neurônios espelho.

Brazil: Balancing on the Brink? | Knowledge@Wharton
Mudando completamente de assunto, essa é uma série de entrevistas com CEOs e outros especialistas brasileiros sobre como a crise poderá impactar a economia local. Entre os entrevistados temos representantes de vários setores da economia.

Leia as outras recomendações de leitura clicando aqui.


Papo Furado #2 – Homeopatia versus Alopatia

23 julho 2008

Estava lendo sobre um “suicídio coletivo” que um grupo de céticos da Bélgica cometeu em 2004. O suicídio era um protesto pelo fato de as seguradoras de planos de saúde daquele país terem decidido cobrir parte dos custos para tratamentos de Homeopatia, tida como medicina alternativa e reconhecida como especialidade médica em diversos países como o Brasil. A Alopatia pode ser entendida como o oposto da homeopatia ou como a medicina convencional, com bases científicas.

O suicídio foi cometido por meio da ingestão de doses homeopáticas de veneno, só que ninguém morreu ou passou mal.

A grosso modo, a Homeopatia consiste de um “remédio” que é que a diluição extrema de uma substância original. Essa substância original pode ser uma que combate os sintomas de uma doença ou que provoca sintomas parecidos. Mais detalhes na wikipédia.

Só que a substância é diluída tão extremamente que muitas vezes não podemos encontrar sequer uma molécula naquelas gotas de “remédio” que ingerimos. E aí?

Aí muitos dizem que na verdade não precisamos ter a molécula presente porque a água possui uma “memória” e irá se comportar como a substância previamente presente. Só que se isso fosse verdade (segundo recentes pesquisas é verdade por muito menos de 1 segundo), o que dizer de substâncias tóxicas que a água possuía antes de ser tratada para o consumo? Elas poderiam nos intoxicar ou curar também? E quanto aos nossos suicidas belgas?

Lembro que quando íamos buscar água em uma fonte de água potável meu pai, que é químico, ensinava: “Antes de encher o galão lave ele 3 vezes. É isso que aplicamos na química quando queremos realmente limpar um recipiente de tal forma que possamos usá-lo para outras experiências”.

Não venho aqui para provar ou desaprovar, só que antes de escrever esse post eu li diversos artigos a respeito e na minha opinião os efeitos do “pensamento mágico” (fator psicológico) é o que explica os casos “comprovados” de que a Homeopatia funciona. O resto é experimento raso ou mal explicado. Sim, a Homeopatia é um papo furado.


O que a produtividade tem haver com o cafezinho?

16 junho 2008

Alguns meses antes de me mudar para a Holanda um gerente me disse que tinha lido em algum lugar que os Holandeses eram muito produtivos. Procurei na rede evidências dessa afirmação e, além de confirmar ser verdadeira (página 35 tem um gráfico onde a Holanda só perde para os Estados Unidos), acabei encontrando, em uma apresentação sobre Inovação Tecnológica na Indústria Brasileira a seguinte frase:

Em 2002, já eram necessários cerca de 4 brasileiros para produzir o mesmo que um norte-americano.

Um número intrigante.

Para aqueles que estão buscando evidências empíricas ou discussão séria na comparação Brasil e Holanda parem por aqui, pois minha observação ignora diferentes indústrias e ramos de atuação. Mais ainda, minha opinião ruma para o lado do cafezinho (que tanto desestimula a criatividade)…
Bandeja para copos

  • No Brasil temos a cultura do “vamos tomar um cafezinho”. A máquina de café é o ponto que mais recebe visitas durante o dia. Nas minhas andanças por diversas empresas noto que existem pessoas que, literalmente, ficam mais tempo no café que na baia. Nunca sozinhos.
  • Na Holanda eles bebem mais café em quantidade (só que aguado), mas toda hora um membro da equipe levanta e pergunta a todos o que querem beber. A bandeja com furos para colocar os copos (foto) está presente em todos lugares. Niguém vai junto e fica de papo furado perto da máquina.

Eu não bebo café. Portanto às vezes eu ia à máquina para papear porque ir até ela é fazer um social.

Ir à máquina é networking.

Mas afeta a produtividade.

Para os bebedores de café é difícil ficar sem cafeína, entendo. Mas bater um papo furado é evitável. Se você não consegue evitar, tente outros approachs, como o do Get Things Done – foque seus esforços se livrando de trabalhos mentais.


Rede social para o lado de lá – encontre alguém na sua próxima vida

4 junho 2008

A Holanda é famosa por ser liberal. Entre um baseado e outro o pessoal vem com algumas idéias geniais, especialmente quando se trata de web 2.0, fatia do mercado on-line que demanda muita criatividade…

Assim é o Next Life Meeting, uma rede social (também em inglês) para que você marque encontros com outras pessoas na sua próxima vida. Se você acredita em reencarnação e quer reencontrar pessoas que compartilham da mesma opinião num futuro remoto, você não vai querer ficar fora dessa. Você pode criar seu perfil atual e perfis das suas vidas anteriores.

Como saber sobre suas vidas anteriores? Você pode tentar aqui, aqui e aqui. Agora, se você esquecer sua senha para acessar quando mudar de vida, você vai ter que se lembrar pelo menos do seu e-mail. O site não oferece outra solução. Por enquanto.

No final da história descobri que essa ’start-up’ foi apresentada no Dragon’s Den, um programa da TV holandesa onde empresários iniciantes vão ao ar para tentar vender a idéia para 5 empresários bem sucedidos. Esse é um tipo de programa que poderia existir no Brasil. Melhor que Aprendiz

Fonte: Next Web.


Benchmarketing versus Benchmarking

21 maio 2008

Guerrilla action for Revero Denim made by Dear Communications Hub.Em fevereiro de 2006 escrevi um post sobre o uso do termo Benchmarketing (muito frequente no Brasil) para definir o que na verdade se chama Benchmarking. Num post seguinte apresentei uma metodologia para medir resultados. Relembrando:

Benchmarking é um processo contínuo de comparação dos produtos, serviços e práticas empresarias entre os mais fortes concorrentes ou empresas reconhecidas como líderes.

Essa comparação serve para que possamos ter uma base para verificar nossas próprias ações. O procedimento é normalmente conduzido internamente e muitas vezes os dados não são divulgados para o público. Principalmente quando seus resultados são piores que seus concorrentes.

Porém volto ao tema para uma pequena observação. Apesar de Benchmarketing não existir oficialmente, eu aposto que muitas empresas o praticam indiscriminadamente.

O termo Benchmarketing é há muito tempo usado para definir o comportamento de alguns fabricantes de placas de vídeo para computadores, que alteram de propósito os números de performance das placas, para se colocarem como melhores que os concorrentes. É literalmente vender gato por lebre.

Muitas empresas devem praticar esse pequeno “arredondamento” na performance dos produtos, ou mesmo manter o número correto mas comparar seu produto com um produto da concorrência pior para parecer na frente. Por isso existem tantas comissões e agentes reguladores nesse mundo. Trapaçar é humano.

Deixando a propaganda enganosa cometida propositalmente de lado, se a sua empresa emprega o termo Benchmarketing em seu website ou processos internos, cuidado! Saibam que isso significa literalmente assumir que vocês são mentirosos!

A foto é de uma ação de marketing de guerrilha que também é um Bench Marketing (Marketing em bancos)


Blogueiro brasileiro morre de infarto?

8 abril 2008

O IDG Now reporta: “New York Times destaca casos de blogueiros que sofreram infarto e relata os males do trabalho 24 horas por dia, sem interrupção. A atividade de blogueiro começa mostrar sinais que podem enquadrá-la na categoria de “profissões de risco”, confome mostra uma reportagem do New York Times.”

1 – Galera, pega leve na blogosfera. Tem gente parando de trabalhar durante o dia (como eu nesse momento) para postar alguma coisa. 1 vez ao dia não faz mal, mas tudo em exagero faz mal. Mas, no fundo, algo me diz que brasileiros, mesmo quando 100% dedicados como blogueiros, dificilmente vão se estressar tanto como os americanos.

2 – A morte é uma das únicas certezas nessa vida. Se blogar é algo que realmente o deixa feliz, morra blogando, mas morra feliz. Se você quer viver mais ou blog é seu meio de vida porém não traz felicidade, reveja seus conceitos e estabeleça margens entre trabalho (blog), vida social e entretenimento off-line.

3 – Blog é blog. Está em pauta, todo mundo fala nisso hoje em dia. Porém, se a reportagem mostrou só 2 blogueiros que falerecam de infarto em uma blogsfera de mais de 150 milhões de blogs, acho que estamos indo bem.

4 – Acho que não levo reportagens muito a sério porque na maioria delas sinto que existe muita generalização de conceitos e não fatos comprovados e empíricos atingindo larga escala de diferentes aspectos do assunto em questão. Talvez eu esteja redondamente enganado, mas ceticismo (ainda quando tenho uma religião) é uma palavra que me agrada muito. Mas já fugi completamente do assunto o qual comecei essa discussão. That’s what blogging is about!


Pirataria no Brasil

21 fevereiro 2008

Em tempos que o primeiro internauta Brasileiro foi condenado por pirataria de músicas, eu convido meus leitores a refletir sobre o assunto visitando um antigo post que publiquei há mais de dois anos atrás.


Comunidades no infinito, vida plugada e CRM

12 janeiro 2008

2008 vai ser o ano da explosão social. Em 2008 o número de websites com foco em nichos e pequenas comunidades de “like-minded people” vai alcançar topos maiores, e acredito sériamente que poderá crescer ainda mais tendo em vista o crescimento vegetativo da internet e o oportunismo automático que isso tudo pode gerar em terceiros.

Eu vivi boa parte da minha vida sem Internet. As comunidades não são essenciais para o crescimento de uma pessoa, mas interferem na evolução humana muito mais do que imaginamos. Aceleram o processo, talvez exageradamente. Pesquisas são muito mais fáceis de executar, as pessoas estão mais conectadas às fontes de informação ou outras pessoas. O acesso por mera curiosidade de um novo internauta alimenta uma indústria de propaganda de tamanhos inimagináveis. E essa propaganda, ao menos em celulares, em 2008, estará mais direcionada e relevante. De fato o rumo agora é estarmos conectados a esse mundão virtual mesmo quando estivermos nas ruas. O 3G bate na porta dos brasileiros com força em breve.

A busca pela velocidade de acesso à Internet já não é mais o foco das discussões. Agora a onda será discutir quanto dessa velocidade o cliente está afim de pagar ou mesmo necessita ter, porque a partir de um certo ponto não será necessário ter 100M ou 2Gbits/s, nessas velocidades você já estará assistindo HDTV, ouvindo um stream de música, acessando websites e ainda terá muita banda de folga… passa a ser estranha a relação que vamos ter com a Internet.

Enquanto esse mundo anda acelerado, as empresas continuam com seus “currais departamentalizados” com foco no produto ou na oferta e não no cliente. Melhor ainda, com foco no umbigo. Na onda de fusões e aquisições sobrará espaço para as consultorias nadarem de braçadas porque na compra de uma empresa gasta-se muito, dependendo no nível de dívida da empresa comprada gasta-se mais. E em CRM, menos. Daí o cliente recebe 3 faturas, uma para telefone, uma para TV a cabo e uma para Internet e não consegue, dentro da sua capacidade de raciocínio, entender porque uma empresa única (chamada elegantemente de “Triple-Play“) não consegue ter uma fatura única e um call center para reclamar único.

Com eletrônicos cada vez mais presentes dentro de nossas casas, TV digital com DVR que consome muito mais que aquele mero conversor UHF/VHF, cable modems, carregadores de celular e até mesmo SERVIDORES, haja apagão para dar conta. Os recursos naturais serão suficientes? Temos a energia nuclear, que é mais limpa que imaginamos e bastante disponível, mas ninguem acredita nisso. Eles dizem: “É melhor emitir carbono das usinas de carvão, ninguém morre com acidentes nucleares…” (mas essas usinas emitem mais radiação na atmosfera que uma usina nuclear).

Haja planeta para aguentar…


‘Estrangeiridades’

7 janeiro 2008

Inventei um novo neologismo. O neologismo para aqueles que são estrangeiros e não tem a mínima idéia do que fazer muitas vezes, e acabam cometendo estrangeiridades. Por aqui as coisas andam bastante no frio e a cada dia a idealização do meu segundo livro parece mais distante. O trabalho é cruel e a adaptação é como uma pimenta nos olhos. No entanto gostaria de enumerar (porque listas são bem mais fáceis de elaborar e, conseqüentemente, de ler) alguns achados que considero importantes:

  • Apesar de todo bafafá em torno do 3G em 2000, a coisa ainda não evoluiu como eu pensava. Aqui na Holanda apenas 5% do tráfego de dados na rede celular corresponde ao 3G (UMTS ou HSDPA), o qual é o mais veloz – contraditório e curioso. Será que no Brasil vai pra frente?
  • O pessoal por aqui come uma quantidade industrial de óleo, gordura e afins. Batata-frita é o carro chefe acompanhando de deliciosos e crocantes croquetes, hamburgueres e outras frituras do gênero saboroso. Pior foi notar que eles quase não almoçam, e quando fazem é um lanchinho regado a iogurte.
  • Teclado é teclado, mas se adaptar a um novo teclado é sempre um desafio interessante e que deixa sequelas.
  • Imersão em outra língua é extenuante. Mas o troféu joinha da alegria vai para uma bela compra num supermercado. Principalmente para os produtos que você não sabe do que se trata.
  • Feliz a minha descoberta ao notar que as empresas aqui tem praticamente os mesmos velhos problemas de CRM e de processos que no Brasil. Só que aqui a concorrência é pesadíssima.
  • I’m from Holland, where the f*** you from?

Resolução para 2008: Escrever meu 2o livro e tentar manter os meus blogs vivos!


Natal social via blogs

28 novembro 2007

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O Yassuda me linkou e acabei vendo um post bacana sobre uma campanha de natal filantrópica que partiu de um blogueiro. A cidade de São Paulo já tem sua representante para sugerir e encaminhar benevolências, ela está começando com um BarCamp de solidariedade.

Há dois anos eu mantenho o link na barra ao lado para a ONG Filantropia.org liderada pelo Stephen Kanitz. É legal porque podemos doar dinheiro ou bens para uma lista de 50 entidades brasileiras. E o melhor: sem sair de casa (para os mais acomodados).

Parabéns galera pela iniciativa!


Capacidade de fazer descobertas importantes por acaso


Aportuguesamento de Serendipity. Palavra formada por Serendip ou Serendib (do árabe Sarandíb), antigo nome do Sri Lanka, + sufixo -ity, palavra criada em 1754 por Horace Walpole no conto de fadas Os três príncipes de Serendip, cujos heróis sempre faziam descobertas acidentalmente ou por sagacidade de coisas que não procuravam

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