Serendipidade

Capacidade de fazer descobertas importantes por acaso

Por Fabio Cipriani
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Aportuguesamento de Serendipity Ing. (1754) Serendip ou Serendib (do árabe Sarandíb), antigo nome do Sri Lanka, + sufixo -ity, palavra criada por Horace Walpole, a partir do conto de fadas Os três príncipes de Serendip, cujos heróis sempre faziam descobertas acidentalmente ou por sagacidade de coisas que não procuravam

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    Atos Instintivos

    O que são “Atos Instintivos” ?
    Aqui estão sendo mostradas as fotos de Atos Instintivos.
     

    Uso instintivo do carrinho de supermercado

    25 julho 2008

    Vira e mexe eu resgato o primeiro post desse blog onde eu falava sobre um livro que registra momentos do uso instintivo do meio e dos objetos que estão à nossa volta para satisfazer nossas necessidades. No primeiro post eu coloquei uma foto de um carrinho de supermercado apoiado num poste para exemplificar o ato instintivo em questão.

    Essa semana meu irmão me indicou um blog chamado FailBlog. Fail = Fracasso. “Folheando” as páginas do blog pude ver que muitas das coisas consideradas uma falha poderiam ser vistas com outros olhos: o uso criativo para satisfazer as necessidades.

    Assim é com os dois exemplos de carrinhos de supermercado a seguir:

    Copyright FailBlog

    Além de ser bastante divertido e mostrar o lado instintivo humano, o blog também serve, ao lado do extinto ThisisBroken, como uma fonte formidável de exemplos da famosa frase “Não estou nem aí, isso não é o meu trabalho“. Esse vídeo é uma boa referência para que você entenda o que é que essa frase significa.

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    Papo Furado #2 - Homeopatia versus Alopatia

    23 julho 2008

    Estava lendo sobre um “suicídio coletivo” que um grupo de céticos da Bélgica cometeu em 2004. O suicídio era um protesto pelo fato de as seguradoras de planos de saúde daquele país terem decidido cobrir parte dos custos para tratamentos de Homeopatia, tida como medicina alternativa e reconhecida como especialidade médica em diversos países como o Brasil. A Alopatia pode ser entendida como o oposto da homeopatia ou como a medicina convencional, com bases científicas.

    O suicídio foi cometido por meio da ingestão de doses homeopáticas de veneno, só que ninguém morreu ou passou mal.

    A grosso modo, a Homeopatia consiste de um “remédio” que é que a diluição extrema de uma substância original. Essa substância original pode ser uma que combate os sintomas de uma doença ou que provoca sintomas parecidos. Mais detalhes na wikipédia.

    Só que a substância é diluída tão extremamente que muitas vezes não podemos encontrar sequer uma molécula naquelas gotas de “remédio” que ingerimos. E aí?

    Aí muitos dizem que na verdade não precisamos ter a molécula presente porque a água possui uma “memória” e irá se comportar como a substância previamente presente. Só que se isso fosse verdade (segundo recentes pesquisas é verdade por muito menos de 1 segundo), o que dizer de substâncias tóxicas que a água possuía antes de ser tratada para o consumo? Elas poderiam nos intoxicar ou curar também? E quanto aos nossos suicidas belgas?

    Lembro que quando íamos buscar água em uma fonte de água potável meu pai, que é químico, ensinava: “Antes de encher o galão lave ele 3 vezes. É isso que aplicamos na química quando queremos realmente limpar um recipiente de tal forma que possamos usá-lo para outras experiências”.

    Não venho aqui para provar ou desaprovar, só que antes de escrever esse post eu li diversos artigos a respeito e na minha opinião os efeitos do “pensamento mágico” (fator psicológico) é o que explica os casos “comprovados” de que a Homeopatia funciona. O resto é experimento raso ou mal explicado. Sim, a Homeopatia é um papo furado.

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    Micronações

    17 julho 2008

    Sealand - picture from WikipediaO link para minha descoberta foi: Baarle-Hertog (uma cidade intrigante que pretendo visitar) - BoingBoing (falando sobre a cidade)- BLDGBLOG (a fonte de informação do BoingBoing)- Amazon (link para um guia de viagem para Micronações). A partir de então havia entrado em contato pela primeira vez com o conceito de Micronacionalismo.

    Na Wikipédia tem bastante texto e uma lista das Micronações existentes para você entender esse mundo povoado de nações interessantes, insanas, divertidas e sem nenhum nexo.

    Resumindo, a coisa é mais ou menos assim: qualquer um pode criar uma nação com leis, governo, bandeira, moeda, língua, time de futebol ou qualquer outro item presente em uma nação real. A Micronação pode ter território na Terra, em outro planeta ou ser apenas um website. Coisa de louco? Não, é só mais uma forma de conhecer gente e formar comunidades, a diferença é que essa aí é muito mais antiga que a web 2.0.

    A mais famosa delas provavelmente é o Principado de Sealand, que tem empresa operando, website e território (foto). Como o lugar não pode ser tecnicamente vendido, os seus governantes estão querendo vender a custódia da Micronação, o ThePirateBaydemonstrou interesse em comprar a ilha para fugir das gravadoras e processos de direitos autorais.

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    O Homem da Terra

    15 julho 2008

    Assisti um filme chamado “O Homem da Terra” no final de semana passado.

    A tradução fica muito esquisita, mas o The Man from Earth tem um conteúdo muito mais interessante que o seu nome em português (e mesmo em inglês) sugere. Nada de efeitos especiais e cenas de ação, o filme teve um orçamento pequeno e sua graça está na intelectualidade.

    Jerome Bixby nos presenteou com uma história intrigante: Um grupo de professores de uma Universidade americana composto por um biólogo, um antropologista, uma teóloga, uma historiadora e entre outros, se reúnem na casa de John Oldman para obterem respostas do porquê de ele estar se mudando dali e se afastando de todos eles. Conversa vai, conversa vem e o John conta que ele tem 14 mil anos e vem perambulando pelo mundo desde o paleolítico superior, e que se muda a cada 10 anos para que as pessoas ao seu redor não percebam que ele é imortal.

    Daí pra frente seus amigos tentam de todas as formas desbancar a história de John e a conversa ruma para diversos campos como a ciência, história e a religião. Os amigos (e o espectador) ficam estarrecidos pelo fato de não conseguirem comprovar se ele realmente está dizendo a verdade ou não.

    Lendo mais a respeito do filme, descobri que ele usou a pirataria a seu favor para se espalhar. O filme ocupa a 31a. posição no Top 50 filmes de Ficção Científica no IMDB. Veja o trailer no YouTube.

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    Papo Furado #1 - Lado esquerdo versus lado direito do cérebro

    1 julho 2008

    Bailarina girandoRecebi por email a figura ao lado. Para que lado a bailarina gira? Horário? Anti-horário? Os dois?

    O email diz que dependendo do resultado você usa mais o lado esquerdo ou direito do cérebro:

    Segundo alguns estudiosos, se você vê a mulher
    girando no sentido horário, significa que trabalha mais o lado direito do
    cérebro (intuição). Se, no entanto, você a vê girar no sentido
    anti-horário, utiliza mais o lado esquerdo do cérebro (raciocínio). Faça a
    experiência…

    Se você se esforçar você conseguirá ver a bailarina rodando para qualquer dos lados. Eu vejo anti-horário na maioria das vezes que olho, mas consigo inverter facilmente (admito que a primeira vez foi mais difícil). Sou engenheiro (raciocínio?) e, portanto, o teste supostamente acertou. Mas não me convenço que um teste tão simples pode dizer tanto.

    Você pode achar vários links para o teste na rede. Alguns deles inocentemente incentivam o conceito e outros, como é o caso da neurocientista Suzana Herculano-Houzel, opinam que o teste é papo furado. Deixando a neurociência de lado, o autor do livro “Freakonomics” também discutiu o teste e realizou uma pequena análise estatística para desbancar o teste.

    Mas não vamos parar por aqui. Uma pesquisa conduzida por cientistas da Universidade de Melbourne e da U.S. Army Research Institute for the Behavioral and Social Sciences demonstrou que jovens com talento para matemática aparentemente usam melhor ambos os lados do cérebro, e que os dois lados estão envolvidos na resolução dos problemas matemáticos. Dizer que matemáticos usam “só” ou “mais” o lado direito é vago demais.

    Outro artigo ainda mais interessante discute e trás a idéia de que mesmo tendo metade do seu cérebro removido cirúrgicamente você pode eventualmente (re)aprender recursos que seriam supostamente usados na metade removida. A chamada Plasticidade Cerebral.

    Acho que a bailarina é mais uma ilusão de ótica que um teste científico. Um papo furado.

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    WWW = World Wide Wisdom

    19 junho 2008

    http://www.vlib.us/web/opte.org.jpgEstava no meu carro vindo para o trabalho hoje de manhã e, pensando sobre a vida, vi um endereço web em um outdoor. Na hora me ocorreu que a World Wide Web (rede de alcance mundial) é na realidade um World Wide Wisdom (inteligência em escala mundial).

    Fiquei tão feliz… Aí pensei, certamente já pensaram nisso…

    Pesquisei no Google: “World Wide Wisdom“. Tem até livro. Mas não cobrindo a - atualmente chamada - inteligência ou sabedoria das multidões (Wisdom of Crowds), nem o Crowdsourcing. Nem relacionado com o Gustave Le Bon e seu livro de 1895…

    No final fiquei com a sensação de novidade. Vou usar o termo num capítulo do meu novo livro, só que relacionado com a sabedoria das multidões / uso das multidões para resolver problemas.

    O velho conceito de criatividade usando dois conceitos diferentes combinados para criar um terceiro. Só um pouco atrasado… mas ao menos minha cabeça está funcionando…

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    O que a produtividade tem haver com o cafezinho?

    16 junho 2008

    Alguns meses antes de me mudar para a Holanda um gerente me disse que tinha lido em algum lugar que os Holandeses eram muito produtivos. Procurei na rede evidências dessa afirmação e, além de confirmar ser verdadeira (página 35 tem um gráfico onde a Holanda só perde para os Estados Unidos), acabei encontrando, em uma apresentação sobre Inovação Tecnológica na Indústria Brasileira a seguinte frase:

    Em 2002, já eram necessários cerca de 4 brasileiros para produzir o mesmo que um norte-americano.

    Um número intrigante.

    Para aqueles que estão buscando evidências empíricas ou discussão séria na comparação Brasil e Holanda parem por aqui, pois minha observação ignora diferentes indústrias e ramos de atuação. Mais ainda, minha opinião ruma para o lado do cafezinho (que tanto desestimula a criatividade)…
    Bandeja para copos

    • No Brasil temos a cultura do “vamos tomar um cafezinho”. A máquina de café é o ponto que mais recebe visitas durante o dia. Nas minhas andanças por diversas empresas noto que existem pessoas que, literalmente, ficam mais tempo no café que na baia. Nunca sozinhos.
    • Na Holanda eles bebem mais café em quantidade (só que aguado), mas toda hora um membro da equipe levanta e pergunta a todos o que querem beber. A bandeja com furos para colocar os copos (foto) está presente em todos lugares. Niguém vai junto e fica de papo furado perto da máquina.

    Eu não bebo café. Portanto às vezes eu ia à máquina para papear porque ir até ela é fazer um social.

    Ir à máquina é networking.

    Mas afeta a produtividade.

    Para os bebedores de café é difícil ficar sem cafeína, entendo. Mas bater um papo furado é evitável. Se você não consegue evitar, tente outros approachs, como o do Get Things Done - foque seus esforços se livrando de trabalhos mentais.

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    Princípio da Precaução

    11 junho 2008

    Ano passado estava falando que a internet é um ruído documentado. Citava o exemplo do uso de telefones celulares e possíveis consequencias para a saúde. Uma hora dizem que celular é inofensivo, na seguinte dizem que é causador de problemas como o câncer. O meu foco desse post anterior era na capacidade de filtrarmos as informações e não acreditarmos em tudo que lemos.

    Discutindo com meu pai outro dia, o qual assistiu uma palestra sobre radiações eletromagnéticas e efeitos na saúde, resolvi voltar ao assunto para falar do Princípio da Precaução que ele contou pra mim.

    Segundo definição da Comunidade Européia, agimos com precaução quando temos:

    • Casos em que os dados científicos sejam insuficientes, pouco conclusivos ou incertos.
    • Casos em que um exame científico preliminar revele que se pode razoavelmente recear efeitos potencialmente perigosos para o ambiente e para a saúde das pessoas e dos animais bem como para a sanidade vegetal.

    No caso dos celulares e demais emissores de ondas eletromagnéticas, a Resolução de Benevento demonstra a decisão de se adotar uma postura precaucionária em relaçao a essa questão.

    Só queria adicionar mais uma variável para se pensar a respeito. Especialmente para quem se interessa na tal da vigilância epistêmica.

    Princípio da Precaução - bendib.com

    Fonte da Imagem (aliás muito bom): Bendib

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    Aprendendo a viver e deixando de se impressionar

    3 junho 2008

    Estava atualizando o Blog Corporativo Wiki fazendo algumas pesquisas na rede e vi algumas notícias sobre uso de blogs para diferentes objetivos. Daí percebi que não dava mais importância para isso como antes. Já vi tanto sobre o assunto que simplesmente não estou reagindo mais a esses “estímulos”.

    Na mesma hora lembrei de uma música do cantor/compositor italiano Giuseppe Povia chamada “Quando as crianças fazem oh“. A música é sobre a pureza das crianças e de como esquecemos de nos impressionar com as coisas simples da vida como a chuva.

    Imagino um ciclo de aprendizagem do seguinte modo: Descobrir - Entender - Absorver - Ignorar - Esquecer.

    Se manter aberto a novidades é importante para evoluírmos com criatividade, mas ao mesmo tempo considero importante saber e sempre se lembrar do caminho que nosso conhecimento tomou até aqui. Ignorar algo que possa parecer batido é prepotente. Além disso, é o primeiro passo perder novas oportunidades.

    É super piegas dizer isso, mas oportunidade, assim como a flecha lançada e a palavra pronunciada, não volta.

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    Motivação - Qual o carvão que move essa locomotiva?

    2 junho 2008

    O Gerente - Mapa mental motivaçãoO que você pode fazer para conquistar quase tudo que a pirâmide das necessidades humanas de Maslow apresenta? A pergunta pode ter muitas respostas, mas como uma coisa puxa a outra, olhando os dois primeiros degraus - necessidades fisiológicas e de segurança - eu diria que o dinheiro é um forte candidato para conquistar um amplo espectro dessa hierarquia. Como as necessidades fisiológicas e de segurança são a base sustenta o todo, tenho fortes convicções de que, no mundo corporativo, o dinheiro motiva mais do que pensamos.

    Estive estudando diversas teorias de motivação como parte do trabalho para meu próximo livro. Achei uma lista compreensiva no ChangingMinds.org. Para quem gosta de saber como funcionamos, nesse site temos teorias para diversos aspectos da vida como memória, crenças, persuasão, comportamento e etc.

    Mas voltando ao assunto, quando falei sobre as teorias de motivação X e Y, ainda não imaginava que a coisa toda era mais complexa que imaginava. Sumarizando: Supondo que todo mundo pegue sua fatia financeira e volte para casa contente, ainda assim restaria o ‘desejo incondicional de felicidade’ colocando sua empresa em xeque. Por ‘desejo incondicional de felicidade’ entenda que falo da característica nunca satisfeita da condição humana, falo da ‘grama do vizinho ser mais verde’. É inevitável.

    Aí você pergunta: você está louco? Primeiro fala que dinheiro é importante e agora não?

    O fato é que em ambientes de negócios o dinheiro fala mais alto, especialmente se o funcionário sentir-se desafiado na conquista de uma fatia mais gorda do bolo. Muita gente trabalha para o ganha pão sem fazer o que mais gosta porque provavelmente não teria uma recompensa financeira significativa com sua paixão. Como o dinheiro é necessário graças ao capitalismo, e ainda que a busca pela felicidade seja perene, receber mais do primeiro sempre nos faz sentir mais próximos do segundo.

    O mapa mental de motivação (figura) pode ser visto aqui.

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