Mundo descartável

eyesorephone @ http://www.soorganic.com/blog/mobile-meltdown-270.htmlEnquanto aproveitava o calor das minhas férias na Espanha e tentava ficar distante da gripe eu passei uma considerável parte do tempo esbravejando com a minha câmera fotográfica. Já é minha segunda câmera depois que as fotos se tornaram digitais. A primeira funcionou exatos 1,5 anos enquanto que a segunda já tem 1 ano e está começando a dar sinais de que alguma coisa não vai bem. A marca é Sony. Das duas. Tanto que até comprei uma filmadora da JVC para ver se a marca tem algo haver com isso.

O fato é que os produtos estão cada vez mais descartáveis.

Produtos descartáveis por preço – É lógico que a evolução tecnológica dos nossos tempos substitui rapidamente os produtos por opções melhores em funcionalidade ou design com preços competitivos. A Lei de Moore é um dos exemplos mais lúcidos dessa rapidez e também ajuda muito entender a comoditização da indústria eletrônica. Aqui temos produtos perdendo seu valor comercial rapidamente e isso confronta diretamente com a constante luta das empresas para buscar a próxima melhoria tecnológica e assim manter seus resultados financeiros e com o fato de que se eu pago pouco por algo, facilmente vou considerá-lo descartável. Sendo assim, sempre teremos um novo modelo com preço superior ou igual e a descontinuidade dos que já não valem mais a mesma coisa. Assim é a indústria. E isso se aplica a impressoras, monitores, celulares e assim por diante.

Produtos descartáveis por durabilidade – Unindo isso a um cenário de mundo saturado, onde os consumidores com poder aquisitivo já possuem aquele produto e um apenas é suficiente, é preciso fazer alguma coisa que continue estimulando o consumo. Das duas uma: ou os pobres devem enriquecer para conseguir ter acesso ou os produtos precisam ter uma vida mais curta. E é nessa última que mora meu argumento porque não tem muita empresa por aí ajudando os pobres para seu próprio bem. Quando minha primeira câmera quebrou prematuramente eu vi isso como uma boa oportunidade para dar um upgrade. E é meio nessa linha que as empresas devem querer que pensemos.

Não que isso relacione diretamente a essa discussão toda, mas me lembro também da criação de embalagens maiores para estimular o aumento do consumo. Por que no McDonald’s temos menu médio e grande e não pequeno? Pra quê embalagens de Coca Cola de 3 litros?

Eu entendo que produtos com tecnologia complexa são mais sucetíveis a falha, chips velozes se aquecem mais e podem danificar-se mais facilmente ou mesmo botões e design modernos que satisfazem o cliente podem utilizar materiais menos resistentes e mais leves. Mas também antevejo que viver numa realidade mais descartável, mesmo que a exploração comercial não seja o problema, gera muito mais lixo e recicla menos.

Até onde vão os limites da durabilidade, preço, consciencia ambiental e nossa vaidade?

Minha intenção não é levantar uma bandeira de conspiração da indústria a favor da ganância financeira. Eu ficaria feliz se minha primeira câmera digital funcionasse daqui alguns anos para comparar tecnologias ou mesmo para, puro e simplesmente, usá-la, assim como posso fazer com a velha Yashica TL Electro-X do meu pai.

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1 Comentário Feed dos comentários »

  • Olá Fábio, parabéns pelo post e, como você, gostaria de uma época, também, mais durável…hoje as informações, as formações, os negócios, as amizades, as tecnologias acompanham esse processo de velocidade da luz…
    Vivemos a época da descartabilidade e muita instabilidade, estamos em pleno processo de transformação…
    Abraços!

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Aportuguesamento de Serendipity. Palavra formada por Serendip ou Serendib (do árabe Sarandíb), antigo nome do Sri Lanka, + sufixo -ity, palavra criada em 1754 por Horace Walpole no conto de fadas Os três príncipes de Serendip, cujos heróis sempre faziam descobertas acidentalmente ou por sagacidade de coisas que não procuravam

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