Minha contribuição científica para o mundo

Acebei de ver a lista de trainees que estão ingressando em consultoria na minha firma no Brasil, fiquei feliz ao ver o tamanho da lista porque isso demonstra que as empresas no Brasil estão caminhando relativamente bem apesar dessa crise toda rolando no mundo.

Por outro lado, me chamou atenção o fato de o nome de quase todos esses 46 trainees ser longo, 27 desses trainees (58,7%) tem de 4 a 6 palavras no seu nome+sobrenome. Seguem os números:

  • 2 deles tem 6 nomes
  • 8 deles tem 5 nomes
  • 17 deles tem 4 nomes
  • 17 deles tem 3 nomes
  • 2 deles tem 2 nomes

Eu sou de uma geração em que as pessoas recebiam 2 ou 3 nomes e sobrenomes, sendo que os 2 primeiros, quando tínhamos 3 palavras no nome, eram geralmente os diferenciadores, e o último era o sobrenome paterno. O sobrenome materno eventualmente ocorria ao invés do segundo nome genérico. No meu caso, Fábio Henrique Cipriani, meus 2 primeiros nomes são os que eu chamo “genéricos”, ou seja, não são “sobrenomes de família”.

Acontece que o mundo ganhou as mentes e a força de trabalho das mulheres, sua independência financeira e espaço. Sabendo que hoje em dia muitas mulheres não adotam o sobrenome do marido e não querem abandonar seu nome de solteiro ao casarem, quão longe estaríamos do veredito de que os longos nomes dessa geração é uma soma dos nomes das gerações anteriores mais a propagação do orgulho familiar, ou seja, não querer que seu sobrenome predileto caia no esquecimento?

Uma outra vertente poderia explicar isso também. O crescimento populacional vegetativo positivo. Ou só o crescimento dos nomes em geral. Com tanta gente no mundo, está ficando difícil encontrar combinações de nomes que mantém o pedigree e diferencia os indivíduos dos demais. Eu já vi outro(s) Fábio(s) Henrique(s) Cipriani(s) no Brasil, na Itália já vi Fabio Enrique Cipriani também. Nesse caso, além de explicar o aumento no número de nomes, poderíamos, com uma cajadada só, explicar os nomes absurdos que vemos por aí.



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4 Comentários Feed dos comentários »

  • Certa vez fiquei pensando sobre esse assunto na tentativa de bolar uma nova regra que desse conta do novo papel da mulher na sociedade.

    Se a mulher não adota mais o sobrenome do marido, qual o critério na hora de nomear o filho?

    Não cheguei a nenhuma conclusão, mas mais dia menos dia teremos que lidar com esse tipo de questão.

  • Romário Jr. disse:

    Caro Fábio, esse fenômeno tem nome, chama-se “Lei de Clair” – ou algo parecido, esse foi o tema da redação/crônica que classifiquei um concurso em 2002 ou 2003 – não lembro ao certo.
    Nesse ocasião discorri sobre a narração de futebol, que estava cada mais complexa devido a quase todos os jogadores terem nomes compostos e os que não tinham agregavam um apelido tipo “carioca” ou “paulista”, por exemplo. Na raiz desse mal estavam as novelas da Janete Clair e as de seus pares da década de 80, que após esgotar a criatividade na década anterior passou(ram) a nomear suas personagens com nomes compostos e como no Brasil toda novela vira moda os pimpolhos nascidos dos 80 para cá vem tendo nomes assim. No início dos 2000 os ainda adolescentes começaram a chegar no futebol e agora os formandos estão ingressando no mercado de trabalho.
    Isso pode ser o fim dos crachás naquele formato retangular vertical, pois esses nomes caberão melhor nos de estilo retangular horizontal, hahaha…

  • Romário, interessantíssimo seu discurso sobre o assunto dos nomes. Fiquei imaginando algumas pérolas aqui… Obrigado pelo comentário. Abs.

  • Andréa disse:

    Também não gosto de nomes compostos, como o meu :Andréa Cristina, mas pior seria ter um nome come estes que achei nesta página da Internet:http://www.geocities.com/x9channel/ridiculo.htm

    Nomes de personalidades também costumam batizar diversas pessoas pelo Brasil afora.
    Exemplos: Adolpho Hitler de Oliveira, Anjo Gabriel Rodrigues Santos, Charles Chaplin Ribeiro, Elvis Presley da Silva, Hericlapiton da Silva, Ludwig van Beethoven Silva, Maicon Jakisson de Oliveira, Marili Monrói, Marlon Brando Benedito da Silva, Sherlock Holmes da Silva…
    Na época do seriado Dallas, eram comuns nomes como: Pâmela, Suelen, Jotaerre, Biull…

Capacidade de fazer descobertas importantes por acaso


Aportuguesamento de Serendipity. Palavra formada por Serendip ou Serendib (do árabe Sarandíb), antigo nome do Sri Lanka, + sufixo -ity, palavra criada em 1754 por Horace Walpole no conto de fadas Os três príncipes de Serendip, cujos heróis sempre faziam descobertas acidentalmente ou por sagacidade de coisas que não procuravam

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