O que as pessoas lêem refletem sua inteligência?

maislidas.jpgPergunta intrigante…

Olhando as notícias mais lidas na Folha de S.Paulo a qualquer hora do dia você se depara com uma lista parecida com essa ao lado.

Ela reflete a preferência popular de uma rede virtual que é acessada, na sua maioria, por pessoas de mais elevado poder aquisitivo.

Se pensarmos em crowdsourcing, wikinomics e/ou avaliarmos a inteligência coletiva o que podemos concluir? Existem exceções? Se trata de um nicho (cauda longa)? Ou uma coisa não tem nada haver com outra?

Num antigo post comentei o livro de Gustave Le Bon (1895) – A psicologia da multidão (é grátis):

Quando no meio de uma multidão, o homem regressa para um estado mental primitivo. Uma pessoa que pode ser altamente culta e moral em alguns casos, é capaz de agir como um barbáro.

Esta irracionalidade, presta-se ao poder da sugestão, através do qual o comportamento de um indivíduo pode ser determinado pelas suas percepções e as ações de outros ao redor dele.

Então o ímpeto por ler ou ver alguma coisa não se correlaciona com inteligência. O conteúdo acessado por sua vez alimenta nossa cabeça com informação boa ou ruim.

Para chegar ao 5o. lugar imagino que um número grande de pessoas devem clicar na mesma notícia, sem saber que as demais estão clicando nela. As notícias são na maioria relacionadas com a mídia TV, a qual exerce forte influência na nossa sociedade, isso explica serem “+ lidas”. Um acesso à informação de forma “inconsciente”.

Podemos manipular as multidões, elas percebem “viralmente” o que as demais ao seu lado estão fazendo. O start deve ser algo popular. Mas ainda não consigo entender porque o viral que conhecemos é tão “vazio”.

Daí eu volto à questão, porque buscamos ler ou ver coisas “vazias”?

Isso aqui tá parecendo o ovo e a galinha…



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5 Comentários Feed dos comentários »

  • Daí eu volto à questão, porque buscamos ler ou ver coisas “vazias”?

    Acho que a preguiça de pensar…

    Sério, conheço pessoa que fica tão cheia e stressada do dia que levou que vai para a casa e assiste polishop… Porque lá não tem que pensar para assistir a programação.

    O problema é que a Tv, em geral e quase sem excessão, não quer um espectador pensante…

    Ai uma coisa puxa a outra e estamos onde estamos…

    FALOW !

    Responder esse comentário

    Resposta de Fabio Cipriani:

    Não é que a mídia não quer um espectador pensante, ela quer MAIS espectadores. O programa vazio tem uma função de “resetar” o cérebro, assim como muitos outros passatempos mais lúdicos.

    Fiquei pensando se essa busca por notícias inúteis não tem algo haver com a natureza humana, e não com sua evolução.

    Abraço.

    Responder esse comentário

  • [...] ao post anterior, ele questionava porque buscamos coisas “vazias” para preencher nosso dia-a-dia. [...]

  • Rebecca disse:

    Creio que essa discussão tem muito a ver com a forma como nosso cérebro processa informações.

    Para “economizar” energia, as informações que sabemos ser menos importantes ou até inúteis não são “gravadas” pela memória. Usamos o que é conhecido como memória de curto prazo. É como se a informação apenas “passasse” por nós.

    Por outro lado, gravar informações úteis ou importantes requer dispêndio de energia, esforço, trabalho.

    Estudar, trabalhar, pensar, tudo isso requer esforço. A maioria das pessoas não quer isso, quer prazer e conforto com o mínimo possível de dispêndio de energia.

    Por isso, as informações vazias fazem sucesso, porque “passam” por nós sem deixar vestígios, mas gerando algum prazer (como o da fofoca: prazer da identificação com alguém “superior”, como vc disse no outro post).

    Portanto, os que querem ganhar muito dinheiro produzem exatamente isso: informações facilmente processáveis, divertidas, inúteis, vazias. Em outras palavras, produzem boa parte do que chamamos hoje de televisão… auto-ajuda…etc.

    Responder esse comentário

  • luciano Neves disse:

    eu concordo plenamente: “O que as pessoas lêem refletem sua inteligência” e quem gosta de tecnologias so se interessa com artigos desta natureza e poderá ser bom nesta materia.

    Responder esse comentário

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Aportuguesamento de Serendipity. Palavra formada por Serendip ou Serendib (do árabe Sarandíb), antigo nome do Sri Lanka, + sufixo -ity, palavra criada em 1754 por Horace Walpole no conto de fadas Os três príncipes de Serendip, cujos heróis sempre faziam descobertas acidentalmente ou por sagacidade de coisas que não procuravam

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