Encruzilhada do saber

Cenário 1:

Você trabalha todo dia no seu posto de trabalho. Não vê possibilidades de crescer no emprego. Acha oneroso mas se sente acomodado em travar, todos os dias, a mesma batalha.

Cenário 2:

Você trabalha e ganha dinheiro suficiente para sustentar sua família e se sente feliz e completo com isso. Não sente que é necessário buscar degraus mais altos porque sua vida está formidável.

Chamei de a “Encruzilhada do Saber” o momento em que alguém decide ver TV ao invés de ler um livro técnico ou estudar um novo e curioso assunto. Ou a decisão de conversar com um colega de trabalho querendo explorar todo o processo da companhia em troca de deixar de lado o orkut, um copo de café regado com conversas paralelas ou mensagens improdutivas do MSN.

Me sinto curioso em saber porque essas coisas nos dão prazer ao contrário dos temas que enobrecem e ajudam o crescimento do intelecto. Algo como se a encruzilhada fosse em um morro, onde o lado da subida é o lado “nerd”.

Taí, de repente a nossa natureza (ou biologia) humana nos levou a esse mesmo buraco. Ou a sociedade é assim porque precisamos de pobres ou ignorantes para alimentar de grana os ricos ou astutos e tudo caminhou da maneira como conhecemos.

Queria que alguém indicasse um caminho filosófico para encarar essas questões. Alguma sugestão?

Amarrando o post anterior, fazer um blog com o objetivo de ganhar dinheiro em detrimento da qualidade ou fazer um blog… etc etc…



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6 Comentários Feed dos comentários »

  • Felipe disse:

    muito bom seu post Fábio
    parabens =)

    Responder esse comentário

  • Caruso disse:

    Tenho a impressão que algumas pessoas vivem a experiência de trabalho como apenas algum tipo de tarefa intelectualmente burocrática que serve para sustentar um status quo. E o sonho delas e a repetição e acomodação – porque será que concursos públicos fazem tanto sucesso?

    Será que esta estabilidade é real? As pessoas assumem uma postura mais pró-ativa para novas descobertas quando percebe que não tem como levar uma vida estática, que o futuro dela não está garantido só porque ela tem uma ocupação estável.

    Responder esse comentário

  • Bender Blog disse:

    Paradoxos
    Dia de paradoxos e cenários hipotéticos. Cipriani reflete sobre a motivação no trabalho e o Noronha viaja na maionese ao inventar um tal de Paradoxo do Acre.

  • Danilo Lima disse:

    Cara, eu sempre quis escrever esse artigo mas nao sabia como abordar sem “machucar” o leitor, e voce o fez, da melhor maneira… parabens!

    Responder esse comentário

  • Eu particularmente acredito que muitas pessoas acabam por preferir o modo menos trabalhoso (ou seja, ficar na conversa improdutiva ao invés de discutir assuntos sérios) por certo nível de preguiça e acomodação.

    Eu trabalho todos os dias em torno de 5 mulheres aparentemente diferentes que passam horas de vez em quando falando sobre a novela, o BBB e métodos de depilação.

    Nunca partilhei de tais assuntos, pois prefiro falar sobre notícias, finanças, tecnologia, livros e afins com os homens com quem trabalho (já até fiz um se tornar blogger).

    O mais estranho é que elas me acham estranha por não falar dos mesmos assuntos.

    Gosto não se discute, eu sei, mas eu me pergunto o que leva pessoas a serem tão desconectadas da realidade há tempos.

    Muito bom você ter começado essa discussão, Fabio! Eu achava que era uma das poucas pessoas do meu meio que pensava isso.

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  • Renan disse:

    Talvez a percepção das pessoas a respeito do ponto “em que alguém decide ver TV ao invés de ler um livro técnico ou estudar um novo e curioso assunto” tenha uma certa proximidade da idéia de produtividade marginal decrescente, que é um conceito de teoria economica. (grosso modo, cada novo fator produtivo contribui cada vez menos para o total produzido)

    Uma suposição: o sujeito lê um primeiro livro sobre um determinado assunto, se interessa e gosta muito do tema. Começa a buscar novas referencias, outras fontes. Começa a se inteirar dos detalhes. Mas cada nova fonte traz cada vez menos coisas novas, acrescenta realmente menos… Isso faz ele pesquisar mais para obter informações que o satisfaçam como antes. Até que em um determinado ponto, ele tem de pesquisar cada vez mais fundo para obter informações ainda “novas”. A partir disso ele percebe que precisa alocar o seu tempo a conhecer outros temas (afinal o sujeito aqui é sedento pelo saber). Dentre os temas considerados para iniciar uma nova busca aquilo que acontece no BBB, a vida dos famosos ou as fontes de energia alternativa disponíveis podem ser considerados perfeitamente.

    Acredito que não seja só isso…

    Responder esse comentário

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Aportuguesamento de Serendipity. Palavra formada por Serendip ou Serendib (do árabe Sarandíb), antigo nome do Sri Lanka, + sufixo -ity, palavra criada em 1754 por Horace Walpole no conto de fadas Os três príncipes de Serendip, cujos heróis sempre faziam descobertas acidentalmente ou por sagacidade de coisas que não procuravam

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