Sonho Tcheco

(c) czech-tv.cz/specialy/ceskysen“As pessoas gostam de ser persuadidas…”

O filme “Sonho Tcheco” (Czech Dream – Cesky sen) nos traz um reality show de dois estudantes de cinema que preparam seu trabalho final com uma abordagem polêmica: O poder de persuasão da propaganda nas pessoas e o consumismo alienado. Assim, eles criam as peças publicitarias, slogans e músicas para um hipermercado chamado “Sonho Tcheco” que não existe e não existirá. Depois convidam todo mundo para a grande inauguração e assistem a reação das pessoas ao ver que não existe hipermercado nenhum.

Girando em torno desse tema central, somos levados a refletir sobre o quão verdadeira é a voz da publicidade, quanto estão nos enganando com propagandas aproveitando essa onda de consumismo exagerado. Teoricamente existe uma ética a ser seguida ao tentar vender o nosso produto, não podemos enganar ou trapacear os consumidores, clientes e eleitores. Mas na prática isso não se aplica. Por um lado pela impunidade, pelo outro pela ganância.

Eles mentiram sobre algo que nem existiu, mas quantas vezes nos sentimos enganados por produtos que são reais?

A frase no começo deste texto, falada por um dos profissionais de propaganda no filme, é verdadeira principalmente para aqueles que sabem persuadir. Nós podemos convencer os outros pelas nossas razões, mas só os persuadimos com as deles*

E realmente a persuasão eficiente é aquela que apela para o egoísmo, ambições, invejas, ciúmes, paixões, dores e arrependimentos** das pessoas, demonstrada pelas obras de Shakespeare. A República Tcheca, que há pouco vivia em filas para comprar comida, está vivendo um sonho de consumo com a abundância de acesso a supermercados, movido pela vontade de consumir da população.

“O mundo é seu, então pegue,
Tudo o que você precisa é querer,
Não seja preguiçoso,
Venha e pegue um carrinho de compras
Não estrague tudo,
Deixe o Sonho Tcheco começar…”

* Joseph Joubert (1754-1824) – Ensaista e moralista francês

** Nélson Jahr Garcia – Shakespeare: A arte da persuasão.



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1 Comentário Feed dos comentários »

  • Por mais que culpem a publicidade a principal função dela é informar.

    A publicidade tem sim sua parcela de culpa no consumismo exagerado, mas se é errado informar as pessoas que um produto existe é errado também fabricá-lo e há ainda outra questão: por mais irreal que pareça o produto anunciado as pessoas se deixam enganar, se tornaram meras engrenagens sem poder de questionamento.

    Ora! Se o publicitário que anuncia um pente para ovos está errado, está errado também quem o fabrica e não deixa de estar errado quem o compra mesmo sabendo que não terá utilidade.

    Opiniões a parte o filme me fez refletir bastante.

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Aportuguesamento de Serendipity. Palavra formada por Serendip ou Serendib (do árabe Sarandíb), antigo nome do Sri Lanka, + sufixo -ity, palavra criada em 1754 por Horace Walpole no conto de fadas Os três príncipes de Serendip, cujos heróis sempre faziam descobertas acidentalmente ou por sagacidade de coisas que não procuravam

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