Mania de acreditar

23 novembro 2005

(c) David Donovan - ddonovan.netNós temos uma mania de acreditar em causa-efeito por termos uma fé distorcida naquilo que nos faz mal ou traz benefício.

Quando pensamos que algo pode surtir efeito (negativo ou positivo) nas nossas vidas, acabamos por acreditar nessa visão cegamente.

Isso nos deixa restritos em uma posição de ignorância perante outras variáveis, ou quem sabe, faz com que a nossa reação seja em prol daquilo que nos está fazendo pensar.

Exemplificando:

Causa: Jogar na mega-sena
Efeito: Ganhar
No concurso da mega-sena, compramos um bilhete e achamos, sentimos confortáveis com a idéia de que podemos ganhar. Inclusive fazemos planos com o dinheiro do prêmio, mesmo que nossas chances sejam ínfimas. E as chances SÃO ridiculamente pequenas, mas somos felizes e acreditamos que podemos ganhar.

Causa: Comer alimentos orgânicos
Efeito: Obter longevidade e evitar doenças
Compramos alimentos organicos achando que vai fazer bem para nosso corpo, evitar enfartos e prevenir intoxicação. Mas não existe nenhuma evidência que prove que comer alimentos tratados com agrotóxicos são prejudiciais a saúde. A quantidade residual é pequena demais para nos causar dano. As qualidades nutricionais de um e de outro são basicamente as mesmas. Mas acreditamos pelo fato de achar que agrotóxico é mau (nas devidas proporções) e ficamos psicologicamente tranqüilizados porque temos medo da morte ou doenças.

(c) uic.co.auCausa: Ter medo de radiação e ser contra energia nuclear
Efeito: Sentir-nos protegidos do “inimigo” radioativo
Temos um belo discurso de que energia nuclear é arriscada e perigosa, e ficamos impressionados pelos acidentes nucleares. Radiação é dose, se você toma uma dose de cachaça não faz mal, mas uma garrafa pode matar. Durante nossa vida, 88% da radiação que recebemos é natural (radiação cósmica, radônio, etc.), os 12% restantes são artificiais, sendo que dentro dessa categoria, 90% é proveniente da medicina e menos de 1% tem haver com pesquisas nucleares. Mas novamente somos impressionados pelo perigo aparente, e nem levamos em conta acidentes químicos, acidentes em estradas, etc.

Para saber mais:

del.icio.us Digg Google StumbleUpon Technorati BlogBlogs


Capacidade de fazer descobertas importantes por acaso


Aportuguesamento de Serendipity. Palavra formada por Serendip ou Serendib (do árabe Sarandíb), antigo nome do Sri Lanka, + sufixo -ity, palavra criada em 1754 por Horace Walpole no conto de fadas Os três príncipes de Serendip, cujos heróis sempre faziam descobertas acidentalmente ou por sagacidade de coisas que não procuravam

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